Ruínas e formações naturais em Palmeiras confundem
acadêmicos e leigos.
Tive que fazer este artigo, porque após dois anos estudando
o assunto, percebo, a todo momento, que no geral, as pessoas não tem condições
de avaliar claramente o que é uma coisa ou outra.A situação criada no local está extremamente confusa , dada a desastrosa escavação executada , e a falta de interesse em esclarecer o caso, incluindo o proprietário , arqueólogos, e organismos.Estou começando a me convencer de que não é o caso de tentar esclarecer mais nada, pela dificuldade de poder verificar algo que não tenha sido alterado,no local. quero dizer que mexeram em tudo , assim como confundiram as informações que circularam a respeito desde o inicio. Pessoas fizeram afirmações e depois as desmentiram.E ainda temos o agravante de que outros podem ter visto uma coisa e imaginado outra, considerando que não eram especialistas no assunto.
Para piorar as coisas
estamos tratando com basalto , material que em uma jazida natural soterrada pode dar a ideia
de estruturas artificiais. Confundindo
mais o assunto. Fica claro que em todo local onde blocos de basalto forma usados
em construções primitivas, foi porque o próprio material era abundante no
local, as vezes, até no próprio sítio da ruína. Consequentemente, no próprio
local da construção, podem aparecer no subsolo estruturas naturais, e em cima,
estruturas construídas com os próprios blocos do local, isto é o que está começando a
parecer que aconteceu em Palmeiras. Para
ilustrar isso, coloco fotos com
comentários esclarecedores que espero
ajudem a entender a complexidade do caso de Palmeiras, e o porquê da possível
irracionalidade das declarações de varias pessoas, mesmo acadêmicos.
Nós
mesmos, com o exame dos fatos que foram surgindo temos que ir reformulando
nossos pontos de vista uma vez que
estamos interessados em saber qual a realidade. Aqui, vamos ver como
a escavação desastrosa do local confundiu leigos e acadêmicos. Para piorar as
coisas o proprietário do local que filmou e fotografou toda a escavação, mas se
nega a mostrar as fotos, apenas tenta
esconder o assunto.Evidentemente que toda a escavação desastrosa e a posterior tentativa de ocultar o sitio pioram a situação.
Os muros que
não podemos ver porque foram desmontados
Quando digo desmontados, refiro-me a que possivelmente não
havia argamassa neles, seriam muros de
pedra seca, e por tudo o que pude investigar ate agora, em campo, falando com quem os desmontou ,chego à
conclusão que eram de blocos de basalto em bruto, alongados.
Não eram blocos chamados de
matacões , ”boulders”, mas sim originários de basalto colunar.
Quanto à forma
desses blocos, aconteceu um fato que
parece corroborar esta ideia , pois
quando desmontaram um dos muros, os blocos foram levados para construir um poço
de água com uns 30 m de perímetro e dois de profundidade a uns 300 m de
distancia do sítio.
Levantaram as paredes e argamassaram mais ou menos os
blocos, porem com a pressão da água, a parte mais exposta, e em desnível, começou a ceder, tiveram então que
colocar os blocos com sua maior dimensão, de topo ao poço, para dar maior
espessura ao dique. Esta descrição do problema dá a ideia exata de serem blocos
colunares que tendem a ser menos volumosos e mais compridos , e que agora estão bastante argamassados, e baixo
a água.
Outra testemunha descreveu esses blocos como” todos certinhos”. O problema é que para um leigo um bloco de basalto
natural pode parecer “certinho”e de talha artificial, ainda que não seja. Se for esvaziado o poço, poderá ser confirmado
o assunto.
Com esses dados poderia
admitir que havia um muro rustico de blocos de basalto que revestiam o barranco
onde por trás aparecem estruturas naturais, das quais algumas
podemos ver ainda. É fácil presumir que um muro simplesmente montado de blocos
sem argamassa é fácil de desfazer, mas que uma estrutura natural de basalto
enterrada não é tão fácil.
Portanto permanece a possibilidade de que havia um
muro artificial revestindo esse barranco , mas para confirmar isso, haveria que
fazer escavação onde se encontra a parte de
baixo dos muros ,posteriormente enterrada. Não creio que caso fosse um muro estivesse argamassado, porque estaria fora da lógica comum a estes muros ,geralmente de pedra seca. Também pode acontecer que em uma formação natural de basalto , após a fragmentação dos blocos forma-se entre eles depósitos de material alterado que podem ser confundidos com argamassas.
O pavimento
Aqui temos o que foi possível levantar na ocasião da primeira ida ao local , quando o mato não
estava muito crescido.Com certeza ainda subsistem mais blocos que aqui não
estão representados.

Pequeno trecho do calçamento que desenterramos , correspondem aos blocos de cima no desenho.

Pavimento em Gunung Padang , Java
Esta formação tem o mesmo aspecto de outros pavimentos
similares em outros locais do mundo, no entanto poderíamos levantar a duvida de
que seja apenas uma formação em disjunção colunar. Para ter certeza disso,
haveria que escavar abaixo dessas pedras
e verificar se existe continuidade dessa formação para baixo. Más não é o que parece.Inclusive foi em cima desse pavimento e abaixo de um bloco que apareceu uma cerâmica.
Analisando as poucas pedras que ficaram, notamos que os blocos de um mesmo alinhamento não são todos similares em seu
perímetro , condição básica em uma formação
colunar , onde todos os blocos da coluna são, ou hexagonais,ou
pentagonais, etc. Mais uma vez temos que dizer que a destruição que foi feita
aqui na ocasião da escavação confundiu as provas e agora fica mais difícil
analisar e chegar a uma confirmação.Foi um caso clássico de "cena de crime" totalmente alterada.
Estes blocos do pavimento
estão nivelados, e no geral ,com uma parte bem plana para cima, o que
caracteriza um pavimento. Alguns blocos estão tortos , mas isso pode ser
atribuído ao fato deterem colocado uma
bulldozer para escavar o local (!?)
Se tivesse havido um cuidado no momento da escavação muitas duvidas não
existiriam mais, porque uma simples observação da colocação das pedras responderia
tudo. Inclusive, como escavaram entre as pedras, não sabemos se entre elas
havia pedras menores ou apenas material miúdo.
Desconfiamos que para o lado
leste, (esquerdo de quem olha para o topo da colina) ainda possa haver uma pequena parte desse pavimento inteiro, o que poderia
responder algumas coisas. Ao comparar a direção de inclinação das formações
naturais de basalto do barranco, verificamos que a inclinação não é a mesma do pavimento, o qual está horizontal e
nivelado.

O aspecto do pavimento na ocasião da escavação em 2003, aqui
vemos os mesmos blocos que aparecem no
desenho acima. Á esquerda havia um dos muros onde descreveram vestígios de uma
escada. No fundo da foto embaixo vemos alguns blocos quadrangulares regulares,
já deslocados, não sabemos se do muro ou do pavimento.
Mais ao fundo vemos um terreno que foi escavado mais profundamente e onde o calçamento foi totalmente eliminado,segundo testemunhas, note-se que na foto com maior detalhe não se vem quase pedras apenas uma aparente laje ainda enterrada, do lado esquerdo.Poderíamos então concluir que o calçamento é um obra artificial e não o afloramento de uma jazida de basalto colunar.(foto embaixo).
Tudo indica que aqui estamos vendo formações naturais de
basalto, sendo que na frente destas formações
haveria um dos muros , e essas
pedras que vemos poderiam fazer parte dele , porem será necessário fazer uma
escavação.No entanto esses blocos que vemos nas ultimas fotos são pouco espessos para serem de um muro de arrimo racional, ainda que sejam bem regulares.Fica a duvida, por enquanto.
Aqui
estaria o outro muro, mais afrente do barranco mostrado nas fotos anteriores sendo que essas pedras que vemos poderiam fazer parte dele
, porem será necessário fazer também uma escavação. Já o bloco da foto esquerda , o
mais regular da ponta esquerda podemos
vê-lo em detalhe na foto do lado, verificando, que tudo indica ter sofrido
talha regularizadora. Desde este alinhamento em direção aos fundos é que se
encontrava o calçamento, e as pedras que pudemos registrar. Ou seja, o
pavimento estava entre dois muros , e
por consequência era um terraço. Testemunhas relatam que havia uma escada estreita também.
Formações naturais de basalto em Paraúna, Goiás A formação
da foto de cima poderia parecer para alguém desavisado uma estrutura artificial. Já
nos blocos da foto abaixo vemos tanto, alguns blocos colunares, assim como matacões
.Em Palmeiras parecem ter sido usados dos dois tipos tanto regularizados, como em
bruto .
Em cima, blocos tipo” boulders” em
Paraúna , Goias, e embaixo, jazida de basalto colunar no próprio sítio
de Gunung Padang , em Java.Estes blocos colunares foram usados naquele
monumento, para construir um muro de arrimo, como vemos na foto seguinte, e lá
mesmo, também foram usados blocos do tipo" boulder" , em muro que
também vemos embaixo.
Aqui temos tanto blocos colunares como “
boulders” de basalto, constituindo muros de arrimo em Gunung Padang , Java
Os elementos nitidamente arquitetônicos isolados que havia ou há em Palmeiras
Mas
mesmo fazendo todas as observações que fizemos , acautelando-nos quando analisamos as imagens de formações naturais de basalto comparando-as com estruturas construídas, temos estes
elementos nitidamente de uso comum na arquitetura pré-colombiana, blocos e lajes,
achados no local que falam claramente em
que ali há uma ruína , ou houve, considerando o saque tremendo que houve durante
décadas , e que, alem do mais, foi
seletivo , catando de preferencia peças regularizadas.
Todas estas peças que
aqui mostramos, e outras que pudemos examinar, não tem marcas de ferramentas de
cantaria colonial ou modernas , Mas aparentam o efeito de terem sido
trabalhadas por processos , no minimo , similares ao que encontramos nas
culturas andinas.
As
lajes das duas ultimas fotos, curiosamente, tem medidas muito similares, variando pouco entre 55cm X 75cm,e com
uns 17 cm de espessura media, mesmo estando distantes uma da outra. A que vemos
em cima também obedece a esse padrão , que parece ser o mesmo das lajes da
foto do meio , que já foram roubadas do local .
Todas estas peças não apresentam
vestígios de uso de ferramentas de aço. Suas arestas são arredondadas e com superfícies com aspecto de martelagem
rustica, e polimento ocasional, inclusive apresentando irregularidades .
Possíveis artefatos que podem denunciar o local como
sítio arqueológico
Fora um vaso cerâmico achado no local , relatado por varias testemunhas ,foram localizados alguns artefatos que podem ser instrumentos ou registros
Possiveis cunhas
variando entre 15cm e 30 cm. Ao lado, registros? Embaixo,para comparação vemos
uma cunha da Ilha da Pascoa , com as quais esculpiam os moais, que eram trabalhados em basalto.

Essas pontas de
flecha de quartzo rosa foram localizadas na margem do
Rio Paraibuna, mas do outro lado, oposto ao sítio de Palmeiras. Por curiosidade, existe um depósito de blocos de quartzo
rosa ao pé da colina de Palmeiras, e parece que foram levados para ali no passado.E eram muitos, mas muitos foram levados para a fazenda e colocados em círculo como vemos na foto.
Esses são alguns
fatos conclusivos e significativos sobre Palmeiras.
Carlos Pérez
Gomar , arquiteto , Rio de Janeiro 30 de setembro de 2015